O tio Isaías, irmão mais velho da avó
Lena, era o nosso único tio. Nasceu em Mataduços em 30/09/1921 e faleceu em
Lisboa em 01/08/1983. Adorado por todos os sobrinhos, depois do seu divórcio
começou a passar o Natal, em Aveiro, connosco. Muito extrovertido e alegre, animava
as nossas férias com as suas “ideias loucas” pelo que, sem qualquer exagero,
podemos afirmar que, durante aqueles dias, vivíamos em permanente festa.
Organizava, por exemplo, o concurso do Mister
ou da Miss pasteleira do respectivo
ano. Com a devida antecedência aprimorávamo-nos na confecção das mais
deliciosas sobremesas que teriam de ser submetidas ao julgamento de um exigente
júri. O vencedor(a) seria laureado com uma faixa (de papel higiénico) com
inscrição alusiva à proeza. Oferecia-nos prendas originais trazidas da capital
ou das suas viagens ao estrangeiro, acompanhadas de um cartão de Boas Festas
muito ternurento sempre com uma piada oportuna que provocava a gargalhada geral
de toda a família.
O tio Isaías gostava muito de desportos
náuticos. Na sua juventude foi praticante de natação e de remo de competição. Mais
tarde interessou-se também pela pesca desportiva. Além disso, costumava
praticar esqui aquático, durante os fins-de-semana, grande parte do ano. Para o
efeito, possuía um pequeno barco a motor de que muito se orgulhava e era o seu
luxo devido ao elevado custo em manutenção e combustível. Também sabia esquiar
na neve, o que era bastante invulgar naquela época, actividade que abandonou
depois de um acidente em que fracturou de um pé, em Espanha.
O tio Isaías construiu uma casa rústica num
local isolado, conhecido por Massapés, perto de Sesimbra. De facto, apenas
mandou erguer as paredes e o telhado, ficando os acabamentos à sua conta. Muitos
fins-de-semana foram passados a pintar, envernizar e outros trabalhos tanto no
interior como no exterior da habitação. Familiares e amigos contribuíram para
esta empreitada com a sua mão-de-obra. Por fim a casa ficou pronta e muito
bonita, decorada de maneira extremamente sóbria e funcional.
O tio Isaías era licenciado em economia e
desempenhava um cargo de grande responsabilidade nos serviços de manutenção da
TAP. Na qualidade de funcionário da empresa, gozava de algumas facilidades para
viajar de avião o que lhe permitiu conhecer bastantes países no continente
europeu, mas também no americano e até na Ásia. Nestas viagens, algumas vezes
fez-se acompanhar pelo seu “amado filho” como costumava dizer muito orgulhoso,
e partir de certa altura era com a Nane, sua companheira de mais de uma dezena
de anos, que fazia férias no estrangeiro.
Devida à sua forte personalidade,
envolveu-se em projectos que muito contribuíram para engrandecer a empresa onde
trabalhava. Era o sócio nº 1 da Cooperativa da TAP que ajudara a criar. Além
disso, no meio automobilístico é reconhecido o seu papel na organização do 1º
Rallye Internacional TAP.
Afectuoso e cheio de energia, gostava
muito de viver cá na terra. Por isso a vida foi extremamente ingrata para com
ele pregando-lhe uma enorme partida: de forma inesperada ficou diminuído nas
suas capacidades e completamente dependente. Veio a falecer vários meses depois
em casa da mãe, a nossa avó Ermelinda.
ÁLBUM DO TIO ISAÍAS
Verão de 1937
Verão de 1938; é o 2º à direita
Nas Pastoras, 1939
Nas Pastoras, 01/01, 1945
Na apresentação do 1º Rallye Internacional TAP, 1967
Na casa de Massapés, 1975
Natal em Aveiro, 1975
Com o sobrinho-neto, 1977
Correspondência para os sobrinhos
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